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O idealismo

   Posted by: Héctor Hugo Palacio   in Fichte, Hegel, Schelling

 

 

Origens do idealismo

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Várias foram as formas de idealismo que apareceram no decurso da história. A primeira delas foi a “metafísica” de Platão: a celebérrima doutrina das Idéias. Depois veio o idealismo emanentista dos neoplatônicos; mais tarde, sob a influência destes últimos, apareceram elaborações sulcadas de idealismo também no seio do cristianismo: são célebres as de Agostinho e Boaventura de Bagnoregio. Trata-se, todavia, de idealismo metafísico, já que é atribuída às idéias uma solidez que ultrapassa a do pensamento e que tem as mesmas qualidades que o ser. Para todos os filósofos da antiguidade e da Idade Média a raiz das coisas é sempre o ser, não o pensamento.

A partir de Descartes, desenvolve-se, na filosofia moderna, um novo tipo de idealismo que – para distingui-lo do precedente – chamamos “noético”. Ele procede da orientação da filosofia pós-renascentista, orientação crítico-epistemológica ou noética (e não mais metafísica). Descartes chega a uma concepção idealista do homem ao defini-lo como res cogitans (“coisa pensante”). A primeira forma de idealismo integral é elaborada por Berkeley, graças ao princípio esse este percipi (“existir é ser conhecido”). O idealismo berkeleyano foi denominado “idealismo subjetivo” porque aprofunda suas raízes nas premissas empiristas e subjetivistas da filosofia inglesa. Outra forma de idealismo subjetivo é o idealismo estético de alguns autores românticos. Uma reelaboração interessante do idealismo metafísico é, finalmente, o idealismo de Leibniz.

Ao idealismo subjetivo de Berkeley e dos românticos Kant opõe o idealismo “transcendental”; nesta forma, o sujeito é criador não do mundo da experiência – e menos ainda de todo o real – mas somente das condições supremas do conhecimento (isto é, das formas e das categorias transcendentais). A restrição da criatividade do sujeito só aos aspectos transcendentais é considerada,contudo, ilegítima por seus discípulos Fichte, Schelling e Hegel, os quais, criticando o mestre, chegam ao idealismo absoluto, isto é, a uma concepção que põe o pensamento como suprema realidade e que vê em todos os fenômenos uma irradiação sua.

Na verdade, o germe do idealismo absoluto já estava contido no sistema de Kant, o qual, porém, o havia bloqueado ao postular como causa dos estímulos das sensações a coisa em si (uma realidade independente do sujeito pensante). Mas este postulado tinha sido introduzido ao preço de uma grave contradição: a da atribuição do conceito de causa também à coisa em si, quando, segundo os princípios da Crítica da razão pura, ele é aplicável somente aos fenômenos. Foi fácil, por tanto, aos idealistas chegar ao idealismo absoluto: bastou-lhes livrar o criticismo da aplicação indébita do princípio de causalidade, omitir a coisa em si e levar até às últimas conseqüências o conceito kantiano do eu como atividade ordenadora e unificadora da experiência externa e interna. Com esta última operação o eu passou de unificador a criador de toda a realidade; ele não encontra mais nenhum limite nem no conteúdo sensível, enm no mundo numênico do supra-sensível. Agora o eu é criador não só da forma, mas também do conteúdo da experiência, e não existe nenhuma realidade numênica fora dele; a auto-consciência  se torna o princípio absoluto do real e de tudo o que é; também pelo pensamento superado. Em poucas palavras, o eu penso é ao mesmo tempo o mundo de Deus, o fenômeno e o númeno, o sujeito e o objeto.

Tais princípios são componentes comuns do pensamento dos três grandes idealistas: Fichte, Schelling e Hegel, os quais os desenvolvem, contudo, de modo diferente: sob o aspecto ético o primeiro, estético o segundo, lógico o terceiro. Mesmo aqui, porém, eles dependem de Kant, que nas suas três Críticas trata respectivamente do problema do saber (na Crítica da razão pura), do problema do agir (na Crítica da razão prática) e do problema do prazer (na Crítica do juízo).  Fichte desenvolve o idealismo ético inspirando-se na segunda Crítica; Schelling desenvolve o idealismo estético inspirando-se na terceira; Hegel desenvolve o idealismo lógico inspirando-se na primeira.

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