Archive for the ‘diálogos’ Category

9
dez

Sócrates, o mais sábio dos homens

   Posted by: Héctor Hugo Palacio

 

Sócrates

Sócrates

 

Sócrates ensinou durante a guerra do Peloponeso. Ensinava em praças públicas, exortando os jovens a viver a virtude. Dele não sabemos muito, pois nada escreveu. A seu respeito preconizara a pitonisa do templo de Apolo que se tratava do mais sábio dos homens. Dois de seus discípulos mais fieis é que nos deixaram uma biografia mais precisa sobre essa enigmática e não menos admirável figura: Xenofonte e, sobretudo, Platão.

Platão, em inúmeros de seus escritos, apresenta o mestre como um espírito inquieto e audaz. Homem irônico, luminoso e perspicaz, de invejável autodomínio, preocupado com a educação da juventude e com a felicidade do homem em geral. A felicidade somente seria possível, graças à busca constante da justiça, tanto no homem quanto na cidade.

 Sabemos da influencia de Sócrates na vida de Platão. A morte do mestre, em 399 a.C., deixou marcas indeléveis no jovem filósofo. Mesmo não estando presente no trágico e último momento de vida do amigo, Platão escreve o Fédon, diálogo de rara beleza literária, que retrata, com detalhes, o saudoso e último encontro de Sócrates com seus amigos mais íntimos. No final desse diálogo, aparece um testemunho vivo de um dos presentes: “Tal foi o fim de nosso companheiro. O homem de quem podemos bendizer que, entre todos os de seu tempo, que nos foi dado conhecer, era o melhor, o mais sábio e o mais justo“.

 

Morte de Sócrates

Morte de Sócrates

No diálogo Fédon, Sócrates aparece como um homem imbuído de uma profunda fe e religiosidade, de raro equilíbrio e dignidade. Não se desespera diante da morte. Aceita-a com liberdade e resignação. Nada pode abalar sua paz interior, fruto de uma vida vivida segundo a própria consciência e razão. Sócrates, o homem reconciliado com a própria história, conseqüência de uma vida virtuosa e reta, aproveita seus últimos momentos neste mundo para dar aos seus discípulos uma aula sobre a imortalidade da alma. Reconforta-os e prepara-os para o futuro. Diante dos prantos e lamentações dos amigos, exclama: “Que gente incompreensível! Se mandei as mulheres embora, foi sobretudo para evitar semelhante cena, pois, segundo me ensinaram, é com belas palavras que se deve morrer. Acalmai-vos, vamos! Dominai-vos!”

 Ninguém encarou o mestre ideal de um modo mais pleno, a ponto de, na maioria de seus diálogos, Platão colocar Sócrates como protagonista, e, por vezes, é difícil distinguir o que pertence genuinamente a um ou a outro.

 Sócrates considerava seu dever imperioso abrir os olhos dos demais aos bens mais excelsos da vida humana que são os da alma. Diferentemente dos sofistas, acreditava na existência de uma ordem universal e de verdades e valores morais absolutos. Sua função na educação do espírito do seu povo, de modo especial dos jovens, tinha para ele um caráter sagrado. Educar, para Sócrates, era uma missão e um imperativo legado a si pelos próprios deuses.

 O autoconhecimento do ser humano era um dos elementos fundamentais preconizados pela educação socrática: Conhece-te a ti mesmo!” Dessa frase, inscrita no templo de Apolo, Sócrates faz o programa de sua vida e a recomendação básica feita aos seus discípulos.

Creative Commons License
Diálogo com os Filósofos by Héctor Hugo Palacio Domingues is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at www.dialogocomosfilosofos.com.br. SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline