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Tomas de Aquino
O trabalho de Tomás de Aquino consistiu em examinar como podem ser sintetizados o pensamento grego (a razão) e a doutrina católica (a fé) numa “filosofia cristã”. Do ponto de vista ético, seu trabalho adotou a forma de mostrar que os paralelismos (encontrados por ele) entre as idéias clássicas de virtude e aquelas provenientes da doutrina cristã são uma prova racional de que a ética e a virtude verdadeiras são vinculantes para qualquer ser humano dotado de razão.

Santo Anselmo
O ambiente geral que domina a Escolástica, da qual Tomás de Aquino é o máximo representante, é um racionalismo inspirado em Aristóteles. Nesse sentido, diversamente do intuicionismo moral de Agostinho, Tomas de Aquino tratará a questão da vontade e da consciência moral de modo racionalista. E isso ocorre, por sua vez, no interior do quadro mais geral das discussões do período sobre as relações entre a fé e a razão. O melhor exemplo desse clima é dado por Santo Anselmo, que afirma o seguinte: “Parece-me mostra de negligência que, tendo-nos provado na fé, não nos esforcemos para compreender aquilo mesmo em que cremos”.
Assim, para Tomás de Aquino, a “lei natural” (inspirada e legislada por Deus) pode ser descoberta mediante o exercício de uma “razão correta”, de tal modo que a vontade possa ser orientada pela própria razão natural do homem, ainda que o homem não possa ser salvo apenas por sua razão. Em todo caso, a vontade humana está submetida a três ordens:
- À sua própria razão.
- Ao governo humano, seja ele espiritual ou temporal.
- À ordem universal do governo de Deus.
A partir dos escritos éticos de Aristóteles, Tomás de Aquino propôs que a ação correta é a conduta que tende a promover – ou que de fato realiza – a plenitude do homem. Virtudes são, assim, aqueles hábitos de ação que conduzem à realização da natureza racional do agente. Falar de “lei natural” é referir-se às tendências do ser humano tais como autoconservação, acasalar e criar filhos, cooperar com os outros homens na vida em sociedade. Mas para além desta fonte empírica de valores está a “lei de Deus”, que simplesmente confirma todas as disposições necessárias para se alcançar o bem-estar.
Ora, a revelação divina traz um importante elemento para a ética natural: a transformação sobrenatural da meta da virtude. Enquanto Aristóteles havia concebido a felicidade contemplativa como fim do homem, pressupondo uma vida terrena, Tomás de Aquino pensa que o fim humano é um outro tipo de felicidade – a beatitude – que consiste na união eterna com Deus.

Averroes
Tomás de Aquino se colocou entre dois grupos de filósofos da época: os averroistas latinos e os voluntaristas franciscanos. Os primeiros mantinham uma versão completamente naturalista do eudaimonismo aristotélico. Os segundos, ao contrário, criticavam a idéia de que a lei de Deus era uma espécie de “manual do usuário” para a vida humana, e sustentavam que sua Lei constitui uma fonte de obrigação independente, arraigada na própria vontade legisladora de Deus.

Guilherme de Ockam
À medida que a Igreja medieval se tornava mais poderosa, desenvolvia-se um modelo de ética que trazia cada vez mais castigos aos pecados e mais recompensa à virtude através da imortalidade, que podia ser convenientemente comprada com indulgências. Diante dos abusos do papado, sobretudo os franciscanos (Guilherme de Ockham) começaram a fazer ressurgir o agostinismo na questão da vontade moral. Foi precisamente na onde desse retorno ao agostinismo que Lutero, um monge agostiniano, engendrou a Reforma protestante.

Lutero
Esse movimento provocou um retorno geral aos princípios básicos de Agostinho, à doutrina da vontade livre, da graça e, com Calvino, à ênfase na predestinação. A partir da Reforma, a responsabilidade individual passou a ser considerada mais importante do que a obediência à autoridade ou à tradição. Esta transformação possibilitou o surgimento da ética secular tipicamente moderna.
